Poesia
Carijó e sua irmã
Ah... minha querida amiga pomba cinza
Não julgo o teu lamento
E nem o teu sofrimento
Nessa pequena cidade baixa.
Quem terá a pior sina?
Onde estará o sol quando nos prenderem em gaiolas escuras?
Todas nós sofremos iguais...
Eu cai do ninho muito nova
Mas meu medo era único...
Devorada!
Tu já nasceste no asfalto
Tu vês pessoas cegas, sem alma, perdidas em escalas e horários de almoço
Tu acompanhas sua mãe, que logo a deixara só.
Os seus medos são vários!
Não tem onça, nem cachorro do mato, nem gato.
Mas tem carro, tem rodas e tem esquecimento.
São olhos que passam... cegos!
São fortes luzes no calar da noite, que não lhe deixam dormir.
Eu vi minha querida... eu vi.
Mães que sofreram no parto
Mães que rejeitaram seu filhote albino
Mães que foram curadas pela música dos bons homens.
Niena chora por nós!
Mas siga meu conselho, minha querida pombinha
Siga o conselho de sua amiga carijó
O mundo nunca acaba
A vida nunca acaba
Mas o sofrimento... ele sim vai ter um fim.

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