Uma noite em dias antigos
Era uma visão basal, um lugar iluminado apenas por uma vela a derreter, o calor era alto o suor escorria pelo corpo, tecidos transparentes, um véu ao deleito, frutas em tapeçarias de madeira, cascas de árvore, incensos e mirra. O corpo nu ali perdido, a pele escura, morena, avermelhada, o luar reinava sobre os pensamentos humanos, palavras ditas ao calar da noite, ouvem-se cantos ao longe, bem lá na fronteira, no fim daquele céu.
Um gato preto de olhos amarelos surge por entre as cortinas, panos que sobrevoam o quarto, uma visão serena, o animal revela sons e espreguiça, aconchegando-se no tapete bordado. Surge então, diante de meus olhos uma figura robusta, queimado pelo sol, com apenas uma veste em seu torso, ele emanava desejo, luxúria e prazer, as cores surgiam por de trás de seu semblante elevado. Um homem de barba em pé... era uma estátua? Uma arte dos deuses?
Ali estagnada, perdida, sem levantar, deitada em meio aquele mar de especiarias dos reis, espero sua figura cair sobre a minha carne, aos poucos ele se aproximou colocando seu ser sobre o meu, suas mãos não paravam, sua respiração ofegava delírio em meio ao calor do atrito, sua boca salivava em meu pescoço, a mão larga apertava os seios duros, o bico elevado ao céu escuro. Uma fumaça de suor e prazer dominava nossas mentes, o calor dava ordens aos corpos que não paravam, a língua penetrou no monte, o êxtase me dominou.
Logo me virei de costas, ele me lambeu por completo, sua boca não parava, nós não queríamos parar, seus dedos entraram na caverna, o chão seco tornou-se um rio, podia-se ouvir sons no horizonte, canções, danças da madrugada, da noite agitada, culto ao deus do vinho. Em meio a esses sons, pude sentir algo mais forte em meu ventre, as pernas abertas, o auge do desejo, do prazer, do deleito, o pescoço apertado, sufocado, o sêmen da vida penetra no corpo, na alma, ambos caídos, ofegantes, sem ar nos pulmões, o líquido branco vagava por entre as montanhas, o braço envolveu-se nos meus ombros, podia sentir o alívio na sua respiração, o desejo sessou em meio aquele local do ócio, em meio aquele chão pagão.
Quão bela foi a sensação, o quão eterno foi o deleito, nos abraçamos com o corpo já fresco, os sons acabaram, a brisa da noite de verão refrescou o lugar, a fumaça e o gato se foram. Adormecemos abraçados, perdidos naquele fim, naquele fim de noite, que logo se transformou em luz.
Uma linda flor do quintal de minha mãe...

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